quarta-feira, agosto 03, 2011

capitulo 2. Independente de nossa vontade, a vida passa.

Onde eu estou?
Esta foi a primeira coisa que pensei quando acordei (obs.: desta vez sem Michael Jackson). Então me lembrei de tudo, e por mais que até o momento tudo estivesse indo bem, senti saudades de meu lar, de Luci. Como ainda era sete e meia e minha cara estava mais inchada que tudo, achei que um banho seria ideal. E após meu costumeiro ritual matinal que consistia em banho, trocar de roupas, guardar pijama, limpeza de pele e arrumar, decidi explorar a estante. Alem de livros, notei que havia também CDs e DVDs, e quem os havia escolhido possuía bom gosto. Claro, pensei, foi minha tia quem comprou. Cada vez mais crescia o numero de afinidades que minha tia e eu tínhamos. Deve ser fácil conviver com minha tia, falei para mim mesma. Escolhi uma sinfonia de Bach, que me deu uma preguiça imensa, só não voltei para a cama porque havia acabado de arrumá-la. Acomodei-me em um dos puffes, e junto com uma manta que achei no closet, continuei a leitura de meu livro, e depois de uma meia hora decidi tomar café da manha.
Quando desci as escadas notei que minha tia não estava sozinha, porque o tom sugeria que, no mínimo mais duas pessoas estavam com ela na cozinha. Acho que a noticia de minha chegada se espalhou mais rápido do que podia supor. Se bem que um novo morador na cidade de Westmont sempre é novidade, mas não precisa ter comitê de recepção na minha primeira manha aqui. Se desci pra comer, pensei, então vamos aos cereais.
Senti-me em casa quando o cheiro de ovos com queijo me inundou. Senti saudades de Luci. Eu estava ficando muito melodramática. Chega de lembranças, disse a mim mesma. Na cozinha, fora minha tia, havia três mulheres. A primeira era loira, cabelos no ombro com mechas castanho claro. A segunda tinha cabelos castanhos olhos verdes e pele claríssima, o que lhe dava um ar romântico. Quanto à terceira, seus cabelos eram castanho escuro, olhos num tom mel, possuía lábios cheios e perfeitos, não se podia dizer o mesmo de seus cabelos cacheados, que precisavam desesperadamente de um corte e uma hidratação. Das três a mais bonita era a segunda, mais nem de longe se comparava a tia Agnes, que com seu cabelos castanho chocolate e seus olhos verde-água roubava toda a luz do ambiente. Quando entrei imediatamente trocaram de assunto, ou seja, eu era a nova fofoca da cidade. Fiquei decepcionada por minha tia colaborar com os mexericos, mas com ainda não havia conseguido defini-la, decidi dar-lhe mais uma chance para mostrar o que tinha de melhor.
- Oi, Kathy. Dormiu bem?- levando em consideração que ela ignorou as demais pessoas na cozinha, tudo normal.
- Sim. Estou atrapalhando? Qualquer coisa eu volto depois - e fiz menção de me retirar, sendo impedida no ato pelas três mulheres.
- que é isso querida, - disse a loira – esta é sua casa, agora. O que quer que tenha vindo fazer aqui não será interrompido pela fofoca de quatro fuxiqueiras. Pensei que não levantaria depois das dez. Descansou o suficiente? – respondi com um aceno.
-mas já que esta aqui, que tal um café?- tenho que dizer eu realmente estava com fome, mas a presença de três estranhas estava alterando minha confiança recém adquirida. Mas independente disso, decidi comer. A fome venceu a timidez.
- Calma meninas. – disse a de cabelos castanho escuro – ela nem ao menos nos conhece. Prazer querida, meu nome é Amara Reinnerts Climbs.
- Meu nome é Kaylla S. Bloom – falou a loira – É um prazer conhece-lá, não sabe como sua tia pensava em você. Desde de que a conheço ela busca formas de arrastá-la pra cá.
- E eu sou Vichtoria Campiestro- disse a de cabelos castanho, que a meu ver parecia a mais calma- Você possui o cabelo loiro lindo das mulheres da família cumhacht.
A menção de minha família materna me trouxe a mente imagens que estavam há muito tempo trancadas, para ser mais exata, decidi esquecê-las com a morte de minha mãe. Por mais relapsa que minha mãe pudesse parecer, eu senti a morte dela. Esse era um assunto para pensar mais tarde, de preferência sozinha e trancada e meu refugio feliz, ou seja, no meu quarto.
A refeição se baseava em torradas com manteiga, ovos, cappuccino e um bolo enorme coberto por uma glacê cor de rosa. Que minha tia sempre desejou me ver morando aqui, eu sabia, mas não pensava que era tanto. Com o decorrer da refeição comecei a notar detalhes comuns entre minha tia e as demais mulheres. A começar pela forma que moviam as mãos, a simetria dos traços, o fato de conversas banais não se tornarem tediosas, entre outros. Enquanto tagarelavam pude perceber que, como eu, elas ficavam a vontade na presença de minha tia. Era como se elas fizessem parte da mesma família, coisa que eu achava difícil levando em consideração o fato de minha tia nunca ter se casado. Uma coisa era certa, elas se viam como algo mais que amigas. Como se fossem irmãs. Ou algo mais.
Algo que elas disseram chamou minha atenção, pois minha mente começou a tomar notas de tudo o que era dito. Desejei que repetissem o que haviam falado, mas não seria indelicada a ponto de pedir, pois não gostaria de assumir não prestar atenção no que havia sido dito. Então me voltei para o que estavam dizendo agora. Algo como uma festa. E algo me disse que eu não gostaria do que iria ouvir.

2 comentários:

  1. Gostei do blog. Você escreve muito bem, sabe descrever bem as situações...

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